Nicole Dias
Reconhecendo traumas: Pensamentos e reflexões sobre nossas ações
Entender as próprias atitudes é um passo essencial para transformar dores do passado em crescimento e consciência emocional
Os dias passam tão rápido que mal temos tempo para observar nosso passado com carinho e compreensão.
No entanto, precisa existir um momento em que paramos para analisar, pensar nas coisas que já fizemos e pelas quais já passamos, essa introspecção nos ajudam a adquirir um maior conhecimento sobre nós mesmos e a entender melhor as razões por trás de nossas ações.
Grande parte dos sentimentos e emoções ‘negativas’ -como raiva, tristeza, medo, culpa e insegurança- estão associados a vivências que tivemos no passado.
Por exemplo, a raiva, que pode surgir de experiências de abandono ou abuso, muitas vezes se manifesta como uma resposta desproporcional a situações menores.
Imagine uma pessoa que, após ser traída em um relacionamento passado, fica extremamente irritada quando alguém chega alguns minutos atrasado para um encontro.
A raiva nesse caso pode não ser apenas sobre o atraso, mas sobre o medo de ser desrespeitada ou abandonada novamente. Esse comportamento é uma forma de proteção, uma maneira inconsciente de evitar reviver a dor do passado, mas que pode prejudicar relacionamentos atuais.
Lembrando que pode ser compreensível ter dificuldade de confiar em alguém após um evento traumático, pois esse sentimento é real e válido. No entanto, agir na defensiva ou ser tóxico não é aceitável. Traumas, por mais dolorosos que sejam, não justificam um mau comportamento em relação ao próximo, nem mesmo atitudes autodestrutivas.
Precisamos identificar a origem dessas sensações para lidar melhor com elas e melhorar nossa qualidade de vida, e consequentemente agir corretamente com as pessoas, sem descontar dores do passado no nosso presente.
Na psicologia, os traumas psicológicos se constroem a partir de experiências e situações que tivemos com alto nível de estresse, quando não conseguimos administrar as sensações e os sentimentos desencadeados pela situação. Além disso, segundo o DSM-V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), trauma é um acontecimento que ultrapassa nossas experiências habituais do cotidiano, tornando-se difícil de enfrentar.
Acredito que por esse motivo se torna difícil reconhecer, porque pode haver uma ‘negação’ por parte da pessoa afetada.
Reconhecer que traumas mal processados influenciam na maneira como agimos é fundamental para buscar uma melhora. Após esse reconhecimento, é importante observar nossos comportamentos e fazer perguntas como: “O que está acontecendo para eu me sentir de determinada maneira?” ou “Como estou agindo quando me sinto assim?”.
Esses questionamentos são úteis para aumentar nossa percepção sobre os traumas que carregamos.
Além da reflexão, existem várias estratégias práticas que podem ajudar nesse processo de autoconhecimento e cura. Práticas como a respiração consciente, a escrita terapêutica, e a meditação mindfulness (a prática de se concentrar completamente no presente), podem ser recursos valiosos para lidar com emoções difíceis.
Portanto, reserve um tempo para revisar seu comportamento, analise-o com compreensão e, se sentir que precisa de apoio, não hesite em procurar ajuda profissional. Esse é um passo importante para transformar as dores do passado em uma vida mais equilibrada e saudável no presente.



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